Segredos da Alma... Dona dos olhos que... Múcio Bruck

Segredos da Alma...


Dona dos olhos que emanam luz
Tez clara, jeito sóbrio e sereno
De mulher sempre bem vinda
Onde chega e razão dos lamentos ao sair


Mulher que trás no peito materno
Um coração que derrama temporais de bem
Voz que cativa, não pelo tom, mas pela fala
Que sempre surpreende e me abala


Dona de meus sentimentos libertos
Que não conhecem amarras nem silêncios
Somente entregas e quereres
Que silentes, a ti pertencem


Senhora do tempo passante
Décadas de ferrenha distância
Que impediu voltarmos
Naquela esquina onde anoitecendo


Eu, inda vagando pela adolescência
Sem noção, leigo de valores
Flexado pelo arruinante ciúme
Não me dei conta de dar-lhe flores


E a vida seguiu seu rumo
O tempo foi o carrasco das memórias
E a consciência vilã de meus enganos
Impôs a minh'alma, incuráveis danos