Para os Apaixonados qualquer meia... Alessandro Teodoro

Para os Apaixonados qualquer meia dúzia de prosopopeia flácida para acalentar bovinos é o bastante.
Quando a paixão toma o lugar da razão, até o vazio ganha aparência de profundidade.
Basta enfileirar palavras pomposas, vestir uma ideia pobre com alguma solenidade e oferecer ao ouvinte aquilo que ele já deseja crer.
Não é preciso convencer: basta afagar.
Os apaixonados muito raramente procuram argumentos; quase sempre procuram confirmação.
Querem discursos que não perturbem suas certezas, metáforas que embalem suas convicções e frases de efeito que possam repetir como se fossem pensamentos próprios.
Nesse ambiente medonho, a eloquência não precisa ser consistente — basta ser confortável.
É assim que a prosopopeia flácida prospera: atribui grandeza ao que é medíocre, profundidade ao que é raso e coragem ao que muitas vezes não passa de conveniência.
E quanto mais apaixonados os asseclas, menor parece ser a exigência por substância.
Talvez o perigo não esteja apenas em quem fabrica o discurso, mas sobretudo em quem voluntariamente se dispõe a ser acalentado por ele.
Porque, quando alguém prefere uma bela mentira a uma verdade incômoda, já não é necessário sequestrar sua razão.
Ela mesma se entrega.
No fim, há discursos que não foram feitos para despertar ninguém.
Foram cuidadosamente construídos para manter o rebanho dormindo — tranquilo, satisfeito e, sobretudo, convencido de que está pensando por conta própria.
