Aos 31 — A Vida que Escolhi Viver... Douglas Milani Carrobrez
Aos 31 — A Vida que Escolhi Viver
Trinta e um anos.
Talvez a vida não seja uma linha reta,
mas uma coleção de caminhos
que só fazem sentido quando olhamos para trás.
Nasci pequeno demais para entender o mundo,
e tive a sorte de encontrar, muito cedo,
um lar onde aprendi que família
é, acima de tudo, presença, cuidado e amor.
Meus pais me deram mais que um sobrenome,
me deram raízes.
Meus irmãos me deram histórias,
brigas, risadas, cumplicidades
e aquela bagunça bonita
que só existe onde existe pertencimento.
E foi ali, entre eles,
que comecei a descobrir quem eu poderia ser.
Depois a vida me levou para longe daquele começo.
Vieram responsabilidades,
trabalho, escolhas, erros, acertos,
dias em que fui forte
e outros em que apenas continuei.
Vieram amores.
Vieram despedidas.
Vieram recomeços.
E, no meio de tudo isso,
a vida me confiou o maior dos títulos:
pai.
Hoje existem dois pequenos corações
que fazem o futuro deixar de ser apenas meu.
Por eles, compreendi que crescer
não é simplesmente envelhecer.
É aprender a carregar responsabilidades
sem perder a capacidade de sonhar.
É descobrir que força
não está em nunca cair,
mas em levantar sabendo
que alguém pode estar olhando para nós
e aprendendo com a maneira como levantamos.
Aos 31,
não sou exatamente o homem
que imaginei que seria.
E talvez isso seja uma coisa boa.
Sou feito das pessoas que encontrei,
das que permaneceram,
das que partiram,
das escolhas que deram certo
e principalmente das que me obrigaram
a aprender.
Sou feito da terra onde cresci,
das estradas que percorri,
do trabalho que me ensinou disciplina,
das responsabilidades que me fizeram amadurecer
e dos sonhos que ainda insistem em existir.
Tenho cicatrizes que ninguém vê
e histórias que poucos conhecem.
Mas também tenho motivos para agradecer
que nenhum passado consegue apagar.
Tenho uma família que escolheu me amar
e que me ensinou que pertencimento
não depende de origem,
mas de presença.
Tenho irmãos com quem compartilho
uma parte da mesma história.
Tenho filhos que me mostram, todos os dias,
que o futuro merece ser construído.
E tenho diante de mim
uma estrada que ainda não terminou.
Por isso, aos 31,
não quero pedir que a vida seja perfeita.
Quero continuar tendo coragem
para atravessá-la quando não for.
Quero continuar aprendendo.
Quero continuar amando.
Quero ter força para proteger
aqueles que dependem de mim
e humildade para reconhecer
quando também preciso de alguém.
Quero olhar para trás aos 40
e reconhecer o homem que fui aos 31.
E aos 50,
lembrar do jovem de 31
com carinho,
sabendo que ele ainda tinha muito a descobrir.
Porque talvez envelhecer seja isso:
não perder quem fomos,
mas carregar cada versão de nós
para dentro da próxima.
Hoje completo 31 anos.
Não tenho todas as respostas.
Mas tenho uma história.
Tenho pessoas que amo.
Tenho pessoas que me amam.
Tenho dois pequenos motivos
para querer que o amanhã seja melhor que o ontem.
E tenho, acima de tudo,
a oportunidade de continuar escrevendo.
Que venham os próximos anos.
Com suas vitórias,
suas perdas,
suas surpresas,
seus recomeços.
Eu já aprendi que a vida
nem sempre pergunta se estamos preparados.
Ela simplesmente abre a porta.
E eu, aos 31,
entro.
