AO AMANHECER. Quando a manhã desponta... Marcelo Caetano Monteiro

AO AMANHECER.
Quando a manhã desponta em véus dourados,
E a luz visita os becos esquecidos,
Vejo os destinos frágeis, consumidos,
Nos corredores tristes e calados.
Erguem-se os homens, sonhos fatigados,
Com olhos de esperança já vencidos;
Carregam seus fantasmas escondidos,
Sob os céus vastos, frios e nublados.
Mas há no sol nascente uma promessa,
Um sopro que renova a alma aflita,
Mesmo onde a dor se mostra mais espessa.
Pois toda aurora, humilde e infinita,
Revela que a existência recomeça,
E a fé resiste à sombra que a limita.