Lançados ao acaso da folha em branco,... Marcio Santos
Lançados ao acaso da folha em branco,
somos manchas que o tempo dispersa,
manuscritos rasurados em um banco,
fragmentos de uma voz que não conversa.
Linhas cegas cruzando o vazio absoluto,
cada uma em seu exílio de carvão e cor,
um traço torto, um borrão em luto,
tentando esboçar o contorno do amor.
Buscamos no outro o ponto de encontro,
a intersecção que nos faça um desenho,
mas seguimos à margem do próprio encontro,
perdidos na pressa de um vago desempenho.
Somos apenas rabiscos soltos de tinta,
vetores abstratos de uma força qualquer,
que teimam na busca, enquanto a luz finda,
de alguma coisa que o mundo saiba ler.
