QUANDO A RIQUEZA ENCONTRA A HUMANIDADE O... Aerton Luiz Lopes Lima

QUANDO A RIQUEZA ENCONTRA A HUMANIDADE


O homem pode possuir muitas coisas e, ainda assim, ser pobre de espírito.


Pode encher sua casa de riquezas e deixar vazia a morada do coração.


Por isso, quando Jesus disse ao homem rico que vendesse seus bens e os repartisse com os pobres, talvez não estivesse apenas falando sobre aquilo que ele possuía.


Estava revelando aquilo que o possuía.


Pois não é a riqueza que prende o homem, mas o apego àquilo que ele chama de seu.


Aquele que possui e não reparte torna-se servo daquilo que acumulou.


Aquele que possui e sabe repartir transforma a posse em serviço.


Que valor tem o ouro diante da fome de uma criança?


Que valor tem uma grande casa quando alguém dorme sem abrigo?


Que valor tem a abundância daquele que passa diante da necessidade e fecha os olhos?


O verdadeiro tesouro não é aquilo que permanece em nossas mãos.


É aquilo que, passando por nossas mãos, devolve dignidade à vida de outro.


O homem busca a grandeza acumulando.


O sábio encontra a grandeza servindo.


Não basta conhecer a verdade.


É preciso tornar-se verdadeiro diante dela.


Não basta falar de compaixão.


É preciso agir quando a compaixão exige alguma coisa de nós.


Porque toda riqueza traz consigo uma responsabilidade.


Toda força traz um dever.


Toda vida que recebe muito é chamada a perguntar:
“Para quem será aquilo que me foi confiado?”


Talvez o ensinamento de Jesus não fosse simplesmente:
“Abandone suas riquezas.”


Talvez fosse:


Liberte-se daquilo que impede você de enxergar o outro.”


Pois quando o coração aprende a repartir, a riqueza deixa de ser senhor e torna-se instrumento.


E quando o homem deixa de viver somente para si, começa a compreender algo que os sábios de todas as eras conheceram:


A vida que não serve à vida perde o sentido de ter sido vivida.


O homem rico possuía muito.


Mas naquele encontro, Jesus mostrou que ainda lhe faltava aquilo que nenhuma riqueza poderia comprar:


um coração livre para amar.