O Crepúsculo da Chegada O tempo não... Insciência

O Crepúsculo da Chegada


O tempo não racha o chão com trovões,
ele muda as coisas no silêncio das marés, devagar, quase sem pressa,
desenhando o horizonte que tantas vezes pedi.

Olho para o lado e mal reconheço os velhos cantos;
o ontem desbota como tinta ao sol.
A melancolia me visita nessa calmaria,
pois o futuro bate à porta com as mãos cheias,
trazendo exatamente o que minha alma ansiava.


Mas há um frio que nasce no peito diante da colheita.
O abismo do desconhecido fascina e assusta;
é o medo de ser gigante onde antes eu era abrigo,
o receio de esquecer quem fui ao me tornar o que quis.


Contudo, o tremor nas mãos não dita o rumo dos passos.
Acolho o medo como quem aceita o vento no rosto.
Olho para trás com gratidão pela antiga margem,
ajusto o casaco, respiro fundo,
e sigo em frente.