Era eu o sol da minha própria... Miguel Espinoso
Era eu o sol da minha própria existência.
Era minha dor tão profunda quanto o oceano,
e minha insegurança tão vasta quanto o céu.
Mas tornaste tudo isso pequeno.
Chamam de corajoso o poeta que despiu
sua alma e conseguiu expor algo formoso.
Eu o chamo de louco!
Se sou uma carta, prefiro
que minhas linhas permaneçam em anonimato;
afinal, conheço meus pecados.
Fui, no entanto, até em entrelinhas, lido pelo Senhor; versos que nem mesmo em um ímpeto de coragem haveria escrito, em seu coração se fizeram conhecidos.
Nem de tudo que leste te agradaste.
Encontraste falsidade, mentira, preguiça e ironia; ainda assim, destes garranchos que sou,
fez poesia.
