ELE Maduro homem. Tão maduro, tão... antonieta vaz barreiro

ELE
Maduro homem.
Tão maduro,
tão triste,
tão belo... e não vive.
Maduro em corpo de homem,
homem que despertou em mim desejos
e tantos questionamentos.
Quando o vi, senti um fogo,
um calor que logo se desfez.
Tomou conta de mim um sentimento estranho:
era meio ternura, meio compaixão.
Era como se eu habitasse aquele corpo
e compartilhasse aquele sofrimento.
Como nos contos de fadas,
quis, naquele instante, ser a princesa
que, contrariando todas as histórias,
despertaria o príncipe de seu pesadelo.
Como um anjo,
quis alcançar aquele coração
e devolver àqueles lábios sem cor um sorriso.
Percorrer aqueles tristes olhos castanhos,
colher-lhes as lágrimas,
uma a uma,
até que lavassem sua linda alma
e lhe devolvessem a esperança.
Quis abraçá-lo sem pedir nada em troca,
como quem acolhe uma dor antiga
que ninguém mais percebe.
E, se pudesse,
ficaria ao seu lado em silêncio,
até que voltasse a acreditar
que a vida ainda é capaz
de florescer dentro de um coração ferido.
Porque, às vezes,
o mais profundo amor
não nasce do desejo,
mas da vontade serena
de ver o outro voltar a viver.