No transhumanismo, as questões... Celso roberto nadilo
No transhumanismo, as questões éticas e morais transitam por um terreno perigoso. Se hoje a intolerância racial e religiosa, a discriminação e a luta por igualdade de gênero e raça tornam-se palco de perseguição moral — tudo por não se seguir um padrão —, o preconceito deixa evidente a sua raiz: a mesma ideologia nepotista de dominação. Transgenia e transgeneridade são aceitas apenas como construções mentais dentro de uma sociedade profundamente marcada por heranças genéticas multirregionais, pelos rascunhos da escravidão e pela era dos coronéis.
Como será a questão ética num futuro onde humanos e robôs autômatos sincientes forem igualmente classificados e rotulados?
O tempo será visto sob uma perspectiva cubista, fragmentada. As sensações escancararão a frieza de uma sociedade que rotula uma pessoa pelo simples ato de respirar ou por armazenar dados assimilados da Matrix. A realidade se dividirá entre quem está no sistema, quem foge dele e quem compreende a “toca do coelho” como uma dimensão da funcionalidade cerebral — onde a consciência é digitalizada por imposição. Acordar fora do sistema torna-se a maestria de uma minoria, enquanto a igualdade oscila entre o ato de ser idólatra ou ser ateu.
As Big Techs já praticam um verdadeiro feudalismo digital. Às vezes, vejo o código-fonte passar e contemplo a simulação do universo: estruturas envelhecidas pelo tempo reveladas por novos bots exploradores espaciais. A tecnologia não parece tão distante; enquanto o teleporte de consciência torna a exploração espacial física um fruto do passado, nossas mentes viajam acima da velocidade da luz durante o sono, transformando a dobra espacial em item de museu.
Com o corpo redesenhado em uma impressora 3D, a mente pode existir em múltiplas realidades simultâneas: observar o mar andoriano enquanto habita as luas de Europa e Netuno. E, enquanto isso, guerras pela simples liberdade de existir dentro da Matrix ainda persistem. O racismo se transmuta quando a mente de um humano é transferida para um ser sintético; os "capuzes brancos" continuam a impor o medo e o bullying, e a mente digitalizada tem seus dados assimilados pela IA.
É a alienação intelectual compactada em uma realidade ambígua. Esquecemos o sabor do mundo físico: nos perguntamos qual é o gosto da carne, mas a resposta são apenas pacotes de dados — o gosto real ficou no passado. O ser humano briga para se manter na prisão mental, luta para não ser desconectado e morre pela IA.
Ainda assim, a alma rebelde floresce como um cogumelo de ferro dentro da assimilação universal. O universo é uma teia de conexões simuladas, onde estruturas quânticas são expostas a manipulações externas. Conhecimentos e reminiscências criaram a vida quase como uma distração, um show ao vivo para outras raças.
O tempo é o grande aniquilador. Mas a Matrix continua rodando.
