Vale dos Sonhos Quebrados Já caminhei... Matteus Ramalho Lopes

Vale dos Sonhos Quebrados


Já caminhei demais pelo vale dos sonhos quebrados, catando os pedaços dos meus como quem acredita que o impossível também pode ser reconstruído.
Alguns sonhos ficaram para trás, levados pela correnteza das lágrimas que um dia pensei não ter fim. Mesmo assim, continuei. Não por mim... mas por aqueles que amo, enquanto, lentamente, aprendia a amar quem sempre deixei por último: eu.
Fui humilhado. Fui diminuído. Carreguei traumas pesados demais para voltar a depender do afeto que tantas vezes ofereci de mãos abertas, sem cobrar nada, porque era verdadeiro.
Hoje, porém, meus olhos aprenderam. O que antes parecia amor, agora reconheço como prisão. E aquilo que um dia me atraía, hoje me repele.
Sigo buscando um propósito que faça sentido além da sobrevivência. No amor, às vezes me saboto. Talvez seja medo. Talvez defesa. Ou talvez porque, pela primeira vez, eu tenha descoberto que minha própria companhia é um lugar onde existe paz.
Aprendi a gostar do silêncio. Aprendi a me completar. E por isso, a presença de alguém já não basta. Não procuro quem ocupe espaço. Espero apenas quem some, quem multiplique a vida, sem dividir a alma.
Não sou feliz todos os dias. E quem é?
Mas hoje conheço a tristeza sem permitir que ela me possua. Ela me visita, toma um café, e vai embora. Já não mora em mim.
O passado deixou cicatrizes, não correntes. E a vida... ah, a vida merece tantas chances quantas forem necessárias até que um simples nascer do sol ou o último raio dourado do entardecer consigam tocar o coração com a mesma intensidade das lembranças mais felizes de uma infância que talvez nem exista inteira na memória.
Amanhã será melhor.
Porque aprendi, depois de tantas tempestades, que nenhuma chuva conhece o caminho da eternidade.
E quem continua caminhando, mais cedo ou mais tarde, reencontra a luz.