O tempo passara. Uma mão fraca elevara;... Gilderson Santos
O tempo passara. Uma mão fraca elevara; aquela mão branca, entre ossos e uma cama fina, de um tecido fino, me assustara. Não era tecido, era pele. Mas, ao levantá-la, senti medo. Algo mudou. Era mais pálida, sem vida. Toquei-a. Senti raiva, medo, amor. Que ódio dessas palavras.
A menina morreu.
Eu entrei, vi. Uma lágrima escorreu, apenas uma lágrima. Saí, olhei a janela do lugar e andei. A janela era espessa, translúcida, mas estava quebrada. Quem, e por quê, não sei. Mas a toquei, senti o estalo da rachadura. Era tão bela. Então sorri, cortei-me, peguei o brinco. Era o brinco que usara, mas era lindo o brilho que deixara.
O brinco era sem valor e opaco ao toque. Voltei, sentei, e mais uma lágrima desceu. Eram duas.
