Onde o Tempo Guarda os Amigos Um dia,... Peregrino Nino Carneiro

Onde o Tempo Guarda os Amigos
Um dia, inevitavelmente, os caminhos se separarão.
E, quando esse dia chegar, descobriremos que a saudade não escolhe apenas os grandes acontecimentos. Ela também se alimenta das conversas sem importância, das travessuras de juventude, dos sonhos compartilhados, das risadas sem motivo e dos instantes em que acreditávamos que a felicidade morava para sempre entre nós.
Sentiremos falta até das lágrimas, das inquietações, das noites de festa, dos silêncios, dos desencontros e de tudo aquilo que, sem perceber, ajudou a escrever a nossa história.
Na juventude, imaginamos que certas amizades são eternas. Acreditamos que o tempo terá piedade dos laços que construímos. Mas a vida, sábia e imprevisível, conduz cada coração por estradas diferentes. Alguns partem por escolha, outros pela necessidade; há os que se afastam pelas circunstâncias e os que o destino simplesmente leva para longe.
Ainda assim, ninguém leva embora o que foi verdadeiramente vivido.
Há dias em que nasce uma vontade quase impossível: ligar para todos, reunir novamente aquele velho grupo, repetir as mesmas bobagens, rir das mesmas histórias e, por algumas horas, fazer o tempo esquecer que passou. Nem que fosse apenas para um último abraço, um último olhar ou um último adeus.
Talvez a vida tenha nos separado para ensinar que o amor também sabe existir na ausência, e que algumas pessoas jamais deixam de caminhar ao nosso lado, mesmo quando já não percorrem os mesmos caminhos.
Por isso, não deixemos morrer a esperança. Porque os reencontros são uma das formas mais delicadas com que Deus nos lembra que o tempo pode afastar os corpos, mas nunca consegue apagar os vínculos que o coração decidiu eternizar.
Peregrino Nino Carneiro