Eu achava que seria diferente, sabe? Que... GB Fernandes Melo Dos Anjos

Eu achava que seria diferente, sabe?
Que iriam me olhar da mesma que enxergam os outros, que enxergam a opinião dos outros,
Mas eu sempre fui assunto de pautas exageradas, sempre fui um descaso pras pessoas, como se eu fosse um peso, como se meu silêncio fosse desagradável, como se a minha desistência de tudo e de todos incomodasse, às vezes me sinto em uma bolha, não respiro e nem sinto, eu queria ser um tubarão, sabia que tubarões são como humanos ansiosos? Eles parecem ser tão agressivos, mas eles são frágeis, se formos ver...só querem sobreviver no meio de uma imensidão profunda, eu poderia ser um leão, mas mesmo assim eu seria solitário, eu poderia ter tudo que eu quisesse, mas uma hora ou outra eu iria cair como um homem fraco que só pensa em si mesmo em todas as ocasiões, aprendi comigo mesmo que não podemos confiar, mas cada vez eu insistia, eu insisto em tudo...pois acho que é assim que se resolve, insistindo como louco, como um desastrado infame da vida, do desastre ocupacional, odeio quando falam que sempre fui uma criança brincalhona, nunca, eu só queria atenção, eu tentava ter carinho, eu barganhava o afeto, mas acho cômico que poderia ter tido aquilo tudo de qualquer pessoa da rua, que eu poderia cumprimentar qualquer vizinho da rua que iria preencher o vazio que minha própria família não concluiu.
Ao mesmo tempo, sinto que pareço o gato de botas, engraçado não? Tão destemido, insistente na vitória, cego por achar que deveria vencer em tudo, por achar que poderia vencer de qualquer batalha, de qualquer briga, mas no final, é só um gato ansioso...
Me sinto como Napoleão Bonaparte, independência ou morte, mas no meu caso? Eu escolheria a plena morte no resplendor da própria bandeira insignificante que carrego
É tão vazio por dentro que não me encontro, me sinto caindo... é estranho como esqueci do meu passado, não consigo me enxergar e nem me ver como aquela criança, aquele rosto inocente