Permanecer ou ir embora. As dores... Diego Godoy

Permanecer ou ir embora.
As dores diárias de um casamento fracassado versus a dor intensa, porém única, da partida.
A sensação constante de impotência e esgotamento versus o medo inevitável de recomeçar.
A anulação de quem eu sou para caber em uma relação que já não existe versus a incerteza de descobrir todo o meu potencial.
Pequenos lapsos de felicidade em meio a uma tristeza permanente versus a esperança, ainda incerta, de voltar a ser feliz.
Abrir mão de sonhos, planos e de um projeto de vida a dois versus a reconstrução de novos planos, agora centrados em mim.
A possível decepção dos filhos versus a certeza da minha angústia diária.
Renunciar a um patrimônio construído com anos de trabalho e sacrifício versus renunciar à minha paz, à minha dignidade e à minha felicidade.
O julgamento de amigos e familiares versus a condenação de viver eternamente representando um papel, fingindo uma felicidade que talvez nunca existiu.
No fim, a verdadeira escolha nunca foi entre permanecer ou partir. Sempre foi entre sobreviver preso a uma vida que já não faz sentido ou aceitar a dor da mudança para dar uma chance à felicidade.
Porque algumas perdas não representam um fracasso; representam o preço da liberdade.
E há momentos em que ir embora deixa de ser um ato de desistência para se tornar, finalmente, um ato de coragem e de respeito por si mesmo.