Eu olho ao meu redor e vejo cada vez... Sarah Castello

Eu olho ao meu redor e vejo cada vez mais pessoas dizendo que gostariam de encontrar alguém. Mas, ao mesmo tempo, vejo um número crescente de pessoas permanecendo sozinhas.

Se há milhões de pessoas querendo amar, por que elas continuam sozinhas?

Talvez porque já não estejamos procurando pessoas, mas experiências. Já não buscamos construir, buscamos sentir. Já não escolhemos caráter, escolhemos estímulos.

Transformamos homens e mulheres em produtos de um mercado afetivo, onde tudo é descartável e sempre existe a ilusão de que alguém melhor está a um clique de distância.

Na tentativa de romper com modelos antigos, também rompemos com referências que davam direção às relações. Muitos homens deixaram de enxergar valor em assumir responsabilidades. Muitas mulheres passaram a tratar a necessidade de amar e ser amada como algo que deveria ser escondido para não parecer dependência.

O resultado é uma geração que diz não precisar de ninguém, mas passa noites desejando exatamente aquilo que aprendeu a negar.

É curioso: passamos décadas tentando convencer as pessoas de que seriam mais livres sozinhas.

Hoje, a epidemia mais silenciosa não é a falta de liberdade.

É a falta de pertencimento.