A OBSESSÃO ESPIRITUAL SEGUNDO ALLAN... Marcelo Caetano Monteiro

A OBSESSÃO ESPIRITUAL SEGUNDO ALLAN KARDEC.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A obsessão figura entre os temas mais relevantes da Doutrina Espírita, por tratar da influência que os Espíritos imperfeitos podem exercer sobre os encarnados. Allan Kardec, com o rigor metodológico que caracteriza a Codificação Espírita, jamais abordou o assunto de forma supersticiosa ou fantasiosa. Pelo contrário, examinou-o à luz da observação, da razão e das leis morais que regem as relações entre o mundo material e o espiritual.
Na Revista Espírita de mil oitocentos e cinquenta e oito, Kardec esclarece:
“A obsessão jamais se dá senão pelos Espíritos inferiores. Os Espíritos bons não causam nenhum constrangimento. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não são ouvidos, afastam-se. O grau de constrangimento e a natureza dos efeitos que produz marcam a diferença entre a obsessão, a subjugação e a fascinação.”
Essa afirmação possui extraordinária importância doutrinária, pois desfaz inúmeros equívocos ainda presentes no movimento espírita e entre os críticos da Doutrina. Os Espíritos elevados jamais anulam o livre-arbítrio humano. Sua influência é sempre discreta, fraterna e esclarecedora. Inspiram o bem, fortalecem a consciência e respeitam integralmente a liberdade de escolha do indivíduo.
Já os Espíritos inferiores procuram dominar moralmente aqueles que lhes oferecem sintonia por meio do orgulho, do egoísmo, da vaidade, do ódio, da inveja, do apego aos vícios e da ausência de vigilância espiritual. Entretanto, é indispensável compreender que nenhuma obsessão ocorre sem um ponto de afinidade moral. A influência espiritual encontra abertura nas imperfeições ainda existentes no próprio Espírito encarnado.

O QUE É A OBSESSÃO.
Segundo Allan Kardec, a obsessão consiste na ação persistente de um Espírito imperfeito sobre outro Espírito, produzindo perturbações de intensidade variável. Ela não representa castigo arbitrário nem condenação eterna, mas consequência natural da Lei de Afinidade Espiritual.
O Espírito obsessor aproxima-se daquele cujos pensamentos, sentimentos ou conduta lhe favorecem o acesso. Dessa forma, a verdadeira proteção encontra-se na reforma íntima, na oração sincera, na prática do bem e na vigilância constante sobre os próprios pensamentos.

AS TRÊS FORMAS DE OBSESSÃO.
Kardec estabelece uma classificação precisa.
Obsessão simples.
É a influência persistente de um Espírito perturbador, que procura interferir nas comunicações mediúnicas ou inspirar pensamentos negativos. O indivíduo conserva discernimento suficiente para reconhecer a influência e combatê-la.
Fascinação.
Representa uma forma muito mais perigosa. O Espírito obsessor ilude intelectualmente a vítima, obscurecendo-lhe o julgamento. A pessoa passa a acreditar cegamente nas inspirações recebidas, rejeitando advertências e críticas, convencida de possuir missão extraordinária ou revelações exclusivas. Kardec adverte que a fascinação alimenta-se principalmente do orgulho e da vaidade.
Subjugação.
É o grau mais intenso da obsessão. O Espírito exerce constrangimento moral ou físico sobre o encarnado, podendo levá-lo a atitudes involuntárias, impulsos irresistíveis ou comportamentos contrários à própria vontade. Ainda assim, não ocorre supressão absoluta do livre-arbítrio, mas severo comprometimento da capacidade de resistência.

O PAPEL DOS ESPÍRITOS SUPERIORES.
Os Espíritos superiores jamais impõem decisões, ameaçam ou escravizam consciências. Sua missão consiste em orientar, inspirar e fortalecer moralmente aqueles que desejam sinceramente progredir.
Quando suas inspirações são sistematicamente recusadas, afastam-se respeitando a liberdade humana, pois a evolução espiritual somente possui valor quando decorre da escolha consciente do próprio Espírito.
Esse ensinamento evidencia a perfeita harmonia entre a justiça divina e o livre-arbítrio, pilares fundamentais da Doutrina Espírita.

COMO PREVENIR A OBSESSÃO.
A prevenção não depende de fórmulas místicas, amuletos ou rituais exteriores.
O verdadeiro antídoto encontra-se na transformação moral.
A oração fortalece o pensamento.
O estudo da Codificação ilumina a inteligência.
A caridade purifica os sentimentos.
O perdão rompe antigos laços de animosidade.
A humildade fecha as portas ao orgulho, principal instrumento utilizado pelos Espíritos inferiores.
Quanto mais elevada for a sintonia moral do indivíduo, menor será a influência das entidades inferiores, pois a afinidade vibratória constitui a lei que governa as relações entre os Espíritos.

CONCLUSÃO.
A obsessão não deve ser motivo de medo, mas de conhecimento e vigilância. Allan Kardec demonstra que os Espíritos inferiores apenas encontram acesso onde existem brechas morais compatíveis com sua influência. Em contrapartida, os Espíritos superiores oferecem incessantemente inspiração, consolo e esclarecimento, sempre respeitando a liberdade da consciência humana.
O estudo sério da Codificação Espírita revela que a libertação espiritual não depende de fenômenos extraordinários, mas da renovação interior, do cultivo das virtudes e da vivência do Evangelho de Jesus. Quanto mais o ser humano se aproxima do bem, menos espaço concede às influências inferiores e mais plenamente experimenta a paz que nasce da consciência reta.
FONTES:
"Allan Kardec." Revista Espírita. Mil oitocentos e cinquenta e oito.
"Allan Kardec." O Livro dos Médiuns. Segunda Parte. Capítulo vinte e três. Da Obsessão.
"Allan Kardec." O Livro dos Espíritos. Questões quatrocentos e cinquenta e nove a quatrocentos e setenta e dois.
"Allan Kardec." O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo vinte e oito.
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