Os que tropeçam no infortúnio de... Alessandro Teodoro

Os que tropeçam no infortúnio de confundir Grosseria com Franqueza, já retrocederam ao estágio mais medonho da grosseria.
A franqueza nunca precisou levantar a voz para ser ouvida.
Ela não humilha, não diminui, nem transforma sinceridade em espetáculo.
A verdade, quando amadurecida pela sabedoria, encontra caminhos para alcançar o outro sem lhe roubar a dignidade.
Vivemos, porém, um tempo em que a grosseria foi descaradamente renomeada.
Chamam-na “personalidade forte”, “autenticidade” ou “sinceridade sem filtros”.
Como se a falta de educação fosse virtude e a incapacidade de exercer empatia fosse prova de coragem.
Há uma diferença profunda entre dizer a verdade e usar a verdade como arma.
A primeira constrói, ainda que confronte.
A segunda apenas fere, ainda que esteja revestida de argumentos corretos.
Afinal, não basta que as palavras sejam verdadeiras; é preciso que também sejam justas, oportunas e às vezes até misericordiosas.
A verdade dita com má intenção é tão ruim quanto qualquer mentira.
A franqueza é uma qualidade dos fortes.
E a grosseria, muitas vezes, é o refúgio dos inseguros.
Quem realmente domina a si mesmo não sente necessidade alguma de esmagar alguém para defender uma opinião.
Pelo contrário, sabe que a firmeza de um caráter se revela mais na serenidade do que na agressividade.
Talvez o maior sinal de maturidade seja compreender que podemos discordar sem desrespeitar, corrigir sem humilhar e falar com firmeza sem abandonar a delicadeza.
Porque a verdade perde parte de sua força quando chega carregada de arrogância.
No fim, não seremos lembrados apenas pelo que dissemos, mas pela maneira como fizemos as pessoas se sentirem enquanto dizíamos.
E isso revela muito mais sobre o nosso caráter do que sobre a nossa eloquência.
