Guardamos o mundo em caixas e armários,... Gervásio Xavier Soares
Guardamos o mundo em caixas e armários, contamos os dias em ouro e metal, erguemos castelos, templos, diários, buscando a promessa de um bem imortal.
Seguiremos valorizando as coisas, trancando as portas com chaves de apego, enquanto o sopro que move a existência ainda nos der esse doce aconchego.
Pois temos o maior valor de todos, a chama da vida que corre no peito, o único prêmio que o tempo não poupa, o único laço que não tem conserto.
E quando a jornada enfim se fechar, e a última luz apagar seus faróis, o mundo palpável não vai nos seguir: ficam apenas as coisas.
