Para as nossas velas machucadas,... Alessandro Teodoro

Para as nossas
velas machucadas, quase todos os ventos são
tempestades.
Há momentos em que não é o mundo que se torna mais cruel; somos nós que, marcados pelas perdas, pelas decepções e pelas diversas agruras, passamos a sentir-nos ameaçados a cada rajada de vento.
Uma vela rasgada não distingue a brisa do vendaval.
Ela apenas se lembra da última vez em que quase se partiu.
As feridas têm essa capacidade de alterar nossa percepção.
O que antes seria apenas um desafio passa a parecer um desastre.
Uma palavra soa como rejeição.
O silêncio parece abandono.
Uma mudança se transforma em medo.
Não porque a realidade tenha mudado, mas porque a dor nos ensinou a esperar o pior.
No entanto, viver não é encontrar um mar sem ventos.
É aprender, aos poucos, a costurar as próprias velas.
Cada remendo representa uma experiência transformada em sabedoria, uma lágrima convertida em coragem, uma queda que nos ensinou a navegar com mais consciência.
Talvez o maior sinal de cura seja justamente este: quando voltamos a reconhecer que nem todo vento veio para destruir.
Alguns chegam para mudar a direção, outros para acelerar a travessia, e há aqueles que apenas lembram que o barco ainda está vivo, ainda flutua e ainda pode alcançar novos horizontes.
Que tenhamos paciência com as nossas velas machucadas, mas que não nos esqueçamos de repará-las.
Porque, quando a alma se fortalece, até as tempestades deixam de ser apenas ameaças e passam a revelar a força que nunca imaginamos possuir.
