DEPOIS DA CADEIRA VAZIA Quando a falta... Régis L. Meireles
DEPOIS DA CADEIRA VAZIA
Quando a falta revela o que o costume escondia.
Às vezes, a vida boa, tranquila e equilibrada que alguém desfruta foi erguida sobre o suor calado, as noites em claro e as lágrimas que outro alguém derramou.
A vida suave só é suave porque, nos bastidores, há quem carregue fardos maiores. E esses fardos, na maioria das vezes, não rasgam as mãos nem dobram as costas.Rasgam por dentro. Pesam na mente, no espírito, na alma.
Bondade de verdade é escolha diária: se doar sem cartaz, pedir pouco e não exigir nada em troca. É servir quando ninguém está olhando.
O problema é que muitos só percebem o valor de quem está ao lado quando a cadeira esvazia. Não calculam o tamanho do rombo que a ausência vai deixar no futuro.
Futuro não é loteria. Não se aposta, não se joga dado, não se lança a sorte esperando que dê certo. Futuro é construção. Tijolo por tijolo, gesto por gesto, presença por presença. E se constrói hoje, com quem está aqui agora.
