Vidas aquarelas - Há dias em que o céu... Jhon Lisboa

Vidas aquarelas -
Há dias em que o céu está de bronze e os pássaros, calados.
O vento parece envergonhado, não vai para um lado e nem para outro.


Hoje eu pintei a minha alma de cores aquarelas, pois parece a única coisa viva em meio a tantas coisas foscas.


Pintei as minhas palavras de marfim, para que se alguém não puder ouvi-las, terá o prazer de vê-las.
Queria, pois, ainda hoje, andar pelas avenidas num anoitecer de verão, onde a vida parece um filme e a lua, uma utopia.


Quem sabe assim a liberdade decida andar sem destino por cada canto deste lugar, que parece levar a lugar algum.
Ainda hoje li aquele livro, o mais vendido do mundo, vi que a esperança teve muitas parábolas e uma pesada Cruz.


Ainda hoje pensei quão levianas estão essas almas, tão juvenis e carentes, parecem nem viver, e sim sobreviver.


Que loucura, a escravidão acabou, mas ainda há seres escravos de si mesmos, quimera, cruel e banal, vive essa nação.


Pensei por hoje, e não deixei para amanhã, quão grande foi Roma e seu triunfo, mas maior foi a queda, quando o orgulho tomou o lugar da empatia.