⁠Chamam o sangue de sagrado como se... Jeff Marconis

⁠Chamam o sangue de sagrado como se DNA fosse diploma de caráter. Que tradição elegante: cobrir o egoísmo com a toalha da família, servir ignorância em porcelana e chamar obediência de amor. A mesa parece um altar, mas funciona como tribunal; todos falam de união enquanto escolhem, cuidadosamente, quem deverá carregar a culpa. Minha rebelião não grita — chega vestida de preto, ajusta os punhos e pergunta quem lucra com tanto silêncio. Pago pelos meus erros porque assumir o preço é mais digno do que falsificar inocência, embora até inocentes sejam condenados quando a família precisa preservar sua própria mentira. Ainda assim, nenhuma sentença doméstica supera a misericórdia de Deus. E nenhuma criança nasce culpada: venha do ventre ou de um laboratório, existir não é pecado. A ciência apenas transformou impossibilidade em nascimento — escândalo suficiente para quem confunde ignorância com fé. Quem vê profanação numa criança, mas não enxerga crueldade no próprio julgamento, não protege moral alguma; protege apenas o prazer de condenar. Eu não destruo verdades: retiro o medo que as mantinha de pé. Se desabarem, nunca foram verdades — eram somente tradições bem vestidas.


— Dr. Jeff Marconis | Marconismo