Se os dirigentes de Moçambique... Daniel Perato Furucuto

Se os dirigentes de Moçambique estivessem verdadeiramente comprometidos com o bem-estar social, colocariam a qualidade da educação e as condições de saúde entre as prioridades nacionais. Um país não se desenvolve apenas com estatísticas favoráveis, mas com cidadãos bem formados e com acesso a serviços de saúde dignos.
É igualmente necessário repensar a proliferação de escolas privadas e institutos de formação que funcionam sem padrões rigorosos de qualidade, sem responder às necessidades do mercado de trabalho e orientados, sobretudo, pela obtenção de lucros. A educação não pode reduzir-se a um negócio.
A iniciativa privada no ensino é legítima e pode contribuir para o desenvolvimento do país. Contudo, deve estar comprometida com a qualidade, a acessibilidade e a responsabilidade social. Seria desejável incentivar instituições que ofereçam ensino gratuito ou propinas compatíveis com a realidade económica da maioria da população, em vez de transformar o direito à educação num privilégio reservado a quem pode pagar.
Quando o lucro se torna o principal objetivo da educação, o conhecimento perde valor, as desigualdades aumentam e o futuro da nação fica comprometido. A educação deve formar pessoas, não apenas gerar receitas.


FURUCUTO, P. D., 2026.