Há flores que não ferem com espinhos.... RUISDAEL MAIA
Há flores que não ferem com espinhos.
Ferem com o silêncio.
São flores que um dia perfumaram jardins inteiros, ofereceram sombra aos viajantes cansados e coloriram a paisagem de quem passava. Não exigiam nada além de cuidado, presença e verdade. Mas quando são arrancadas da terra da confiança, quando suas raízes são pisadas pela indiferença ou pela deslealdade, elas não gritam, não amaldiçoam e não perseguem.
Apenas silenciam.
E nesse silêncio existe uma punição que poucos compreendem.
Porque a ausência do perfume revela o quanto ele era necessário. A ausência da beleza faz perceber o que antes era tratado como comum. A ausência da presença transforma a memória em um espelho inevitável.
As flores que punem com seu silêncio não buscam vingança. Elas apenas deixam de oferecer aquilo que um dia deram gratuitamente. Permanecem em sua dignidade, recolhidas em sua própria estação, enquanto aqueles que as perderam caminham por jardins vazios tentando encontrar em outras paisagens a mesma fragrância que desprezaram.
O silêncio dessas flores não acusa.
Mas ensina.
Ensina que o amor não é um recurso inesgotável. Que a lealdade possui raízes profundas e delicadas. Que certas perdas não acontecem quando alguém parte, mas quando alguém deixa de valorizar o que possuía.
E então o tempo passa.
As flores continuam florescendo em algum lugar distante, sob outro céu, alimentadas por outra luz. Já não falam, já não imploram, já não explicam. Apenas existem.
E às vezes a maior consequência de um erro não é ouvir uma condenação.
É perceber que a flor que um dia floresceu para você aprendeu a florescer sem você.
Jessica Milena dos Santos Maia Minha Esposa! Te amor.
