A Menina que Montava Sonhos Dias atrás,... Yonne Moreno (BRASIL- )

A Menina que Montava Sonhos

Dias atrás, durante um voo cansativo, uma mãe e uma criança conversavam.

O menino estava triste pela ausência do pai. Em voz chorosa, dizia que seria magnífico se o pai estivesse ali com eles.

Percebendo que a tristeza começava a tomar conta do filho, a mãe rapidamente sugeriu:

— Levante os braços, como se fossem asas, e imagine que você está voando nesse céu imenso.

E assim ele fez.

De repente, o menino se transformou. Sorria enquanto observava as nuvens sendo banhadas pela luz do sol.

Pouco depois, a mãe percebeu que o encanto daquele momento começava a se desfazer e propôs:

— Agora feche os olhos e monte um sonho.

Mais uma vez, o menino obedeceu.

Vi a mudança estampada em seu rosto. Ele sorria, editava seus sonhos, gargalhava até seus olhos lacrimejarem. Algum tempo depois, adormeceu. Seu rosto transmitia paz, alegria e uma inocência angelical.

Quando acordou, suas primeiras palavras foram:

— Mamãe, se o papai estivesse aqui, ele estaria rindo da montagem do meu sonho.

Não soube qual era aquele sonho, mas fiquei pensando…

Por que nós, adultos, com o passar do tempo, perdemos a essência da criança que ainda vive dentro de nós?

Por que não recorrer, nos momentos difíceis, à inteligência, à criatividade e à inocência da nossa criança interior? Não para fugir dos problemas, mas para aliviar o peso da alma, extravasar aquilo que nos machuca e, só então, enfrentá-los com mais serenidade. Às vezes, é preciso primeiro esvaziar o coração para depois encontrar forças para seguir.

O menino não esqueceu o pai. A dor continuava ali. Mas a sensibilidade daquela mãe, compreendendo o momento, o lugar e o tempo, conseguiu amenizar um sofrimento que, para ele, parecia imenso.

Então fico pensando…

Houve um tempo em que existia uma menina que tinha um guarda protegendo suas costas. Ela já montava sonhos. Sonhava, até mesmo, em ser pobre.