Fiz, em meu tempo, cartas de amor,... VITOR FERREIRA DE PAULA
Fiz, em meu tempo, cartas de amor, declarações e presentes. Ofereci palavras, flores e pequenos gestos que, embora simples, carregavam consigo partes inteiras daquilo que eu era. Em contrapartida, pouco ou nada recebi de volta. Talvez pelas circunstâncias, talvez pelas limitações da vida, talvez até por questões financeiras. Ainda assim, confesso: o mais humilde dos presentes, o menor dos símbolos, teria sido suficiente para me encantar.
Não me arrependo do que fiz. Pelo contrário, há certo conforto em saber que o primeiro buquê de flores que alguém recebeu em sua vida foi entregue por minhas mãos. Algumas pessoas colecionam bens, outras colecionam lembranças; eu talvez tenha escolhido colecionar momentos que sobreviverão à própria memória.
Recordo-me da célebre frase que diz que todas as cartas de amor são ridículas. Talvez sejam. Mas arrisco uma pequena discordância literária: ridículas não são as cartas, nem as declarações. Ridículas são apenas as criaturas que amam profundamente e, ainda assim, jamais encontram coragem para transformar sentimento em palavra.
Porque amar em silêncio é humano; mas declarar o amor é um raro ato de bravura.
— Vitor Ferreira de Paula
Polímata e curioso diante do mundo, 2026.
