O PODER DE CURAR PELO OLHAR, PELO TATO E... Marcelo Caetano Monteiro

O PODER DE CURAR PELO OLHAR, PELO TATO E PELA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS.
A ação do Espírito sobre a matéria e a assistência invisível ao homem.
A Cura como Manifestação da Lei Divina
Entre as mais elevadas demonstrações da ação do Espírito sobre a matéria destaca-se a faculdade de curar pelo olhar, pelo toque e pela imposição das mãos. Longe de constituir privilégio sobrenatural ou milagre contrário às leis da Natureza, essa faculdade representa uma manifestação das leis espirituais que regem a vida.
Deus, fonte inesgotável da existência, é também a origem de toda saúde, de toda harmonia e de toda perfeição. Assim como d'Ele procedem as leis morais que conduzem à elevação da alma, igualmente d'Ele emanam as forças restauradoras capazes de recompor o equilíbrio do organismo físico e espiritual.
O verdadeiro curador não cria esse poder. Ele apenas se torna instrumento da Providência Divina. Pela prece sincera, pela pureza dos sentimentos e pelo esforço magnético, atrai os fluidos superiores que neutralizam ou expulsam os elementos inferiores responsáveis por inúmeros sofrimentos.
A eficácia desse auxílio depende, sobretudo, das qualidades morais daquele que serve. A caridade desinteressada, a dedicação ao próximo, o espírito de sacrifício e o completo esquecimento de si mesmo constituem as condições indispensáveis para conquistar e conservar essa sublime faculdade. Quanto maior a humildade, maior a sintonia com os benfeitores espirituais.
A Cura Espiritual Através dos Séculos
A História oferece numerosos testemunhos dessa superioridade do Espírito sobre a matéria.
Desde a Antiguidade encontram-se relatos de curas extraordinárias realizadas por homens de elevada estatura moral e espiritual. O imperador Vespasiano é citado como tendo restituído a visão a um cego e aliviado um enfermo pela imposição das mãos. Apolônio de Tiana igualmente tornou-se célebre por fenômenos semelhantes.
Entretanto, todas essas manifestações encontram sua expressão mais elevada em Jesus Cristo.
As curas realizadas pelo Mestre e posteriormente pelos apóstolos não constituíam exceções às leis naturais, mas a aplicação perfeita das leis espirituais que governam a transmissão dos fluidos e da vontade dirigida pelo amor.
Nos tempos modernos, essa faculdade continuou a manifestar-se.
O príncipe de Hohenlohe, sacerdote bávaro do século XIX, tornou-se conhecido em toda a Europa pelas numerosas curas obtidas exclusivamente pela oração e pela invocação de Deus. Cegos, surdos, mudos e enfermos de todas as espécies buscavam incessantemente seu auxílio.
Outros magnetizadores e pesquisadores, como Cahagnet, Puységur, Du Potet e Deleuze, igualmente registraram fenômenos impressionantes, demonstrando que a ação fluídica permanece viva em todas as épocas.
A Fé como Força Curadora.
Um dos aspectos mais profundos desse fenômeno reside na força da fé.
Mesmo observadores vinculados à ciência oficial, como Charcot, reconheceram ao final de sua vida a existência desse poder, publicando estudos sobre aquilo que denominou "A fé que cura".
A fé verdadeira não representa simples crença intelectual.
É uma força viva da alma.
Quando profundamente sentida, estabelece poderosa ligação entre o Espírito humano e as fontes superiores da vida, tornando-se capaz de modificar estados físicos, emocionais e espirituais.
Em diferentes tradições religiosas, independentemente de igrejas, templos ou seitas, multiplicam-se exemplos de homens e mulheres cuja oração sincera produziu incontáveis benefícios aos enfermos.
Esses fatos demonstram que Deus não limita Sua ação a instituições humanas. O auxílio divino alcança todos aqueles que O buscam com sinceridade.
O Magnetismo e a Simplicidade da Verdadeira Cura.
A cura magnética, em sua essência, não depende de gestos complicados, fórmulas ritualísticas ou cerimônias exteriores.
O passe, embora útil como recurso de concentração e transmissão fluídica, não constitui a fonte do poder.
A verdadeira força reside no desejo ardente de aliviar o sofrimento do semelhante, aliado à oração profunda e à confiança em Deus.
Quanto mais puro o sentimento, mais eficiente se torna a ação fluídica.
O amor é o maior agente curador.
O Mundo Invisível Nunca Deixou de Agir
Essas observações conduzem naturalmente a uma conclusão de grande alcance.
Jamais o mundo invisível abandonou a Humanidade.
Desde as épocas mais remotas, Espíritos superiores inspiram, auxiliam e fortalecem os homens em sua caminhada evolutiva.
Aquilo que outrora recebeu o nome de milagre corresponde, hoje, ao conhecimento gradual das leis espirituais.
Mudaram os nomes.
Os fatos permanecem os mesmos.
O Espiritismo não cria fenômenos novos; apenas explica racionalmente fenômenos que sempre acompanharam a História humana.
O Gênio como Forma Elevada de Mediunidade.
A Inspiração dos Grandes Espíritos
Léon Denis amplia esse entendimento ao afirmar que o próprio gênio constitui uma modalidade de mediunidade.
Os grandes pensadores, artistas, cientistas, filósofos e reformadores recebem inspirações provenientes das inteligências superiores.
Essa assistência pode ocorrer consciente ou inconscientemente.
Os Espíritos inspiradores colaboram silenciosamente nas grandes obras destinadas ao progresso da Humanidade.
Assim, o verdadeiro gênio jamais pertence exclusivamente ao indivíduo.
Ele representa a cooperação entre o mundo espiritual e o mundo terreno.
O Martírio dos Grandes Inspirados
Quase todos aqueles que trouxeram luz ao mundo enfrentaram incompreensão, perseguições e sofrimento.
Jesus foi crucificado.
Sócrates morreu envenenado.
Joana d'Arc foi conduzida à fogueira.
Galileu enfrentou a Inquisição.
Camões morreu na miséria.
Dante conheceu o exílio.
Colombo foi preso.
Esses homens pagaram elevado preço por anteciparem verdades que seus contemporâneos ainda não estavam preparados para aceitar.
O progresso quase sempre nasce do sofrimento dos pioneiros.
A Inspiração e Seus Estados Psíquicos
A inspiração não constitui estado permanente.
O homem de gênio experimenta momentos de extraordinária elevação alternados com períodos de absoluta normalidade.
A intensa atividade espiritual frequentemente produz verdadeiro estado de êxtase, tensão interior e profunda exaustão.
Diversos artistas, músicos e poetas relataram sentir a inspiração como força irresistível que lhes invadia o pensamento.
Essa hiperexcitação explica, segundo Denis, por que tantos gênios tiveram vidas marcadas por enfermidades, sofrimentos ou morte prematura.
Cristianismo Primitivo e Mediunidade
A Igreja dos Primeiros Séculos.
Segundo Léon Denis, os primeiros séculos do Cristianismo eram profundamente marcados pelos fenômenos mediúnicos.
As Epístolas de Paulo e os Atos dos Apóstolos apresentam orientações sobre inspiração, profecia, discernimento dos Espíritos e diversos dons espirituais.
Com o passar dos séculos, porém, a teologia escolástica substituiu progressivamente a experiência espiritual viva por sistemas dogmáticos.
A mediunidade permaneceu existindo, mas passou a ser compreendida de maneira cada vez mais limitada.
Mesmo assim, inúmeros santos, místicos, filósofos e reformadores continuaram recebendo inspiração superior, preservando discretamente a continuidade da Revelação Divina.
A Mediunidade como Lei Universal
A Solidariedade Entre os Dois Mundos
Toda a História humana revela uma profunda solidariedade entre encarnados e desencarnados.
Os Espíritos mais elevados inspiram incessantemente aqueles que trabalham pelo progresso moral, científico e intelectual da Terra.
Nada ocorre isoladamente.
Os mundos superiores educam os inferiores.
A evolução universal desenvolve-se mediante essa permanente cooperação entre os diversos planos da vida.
O Futuro da Humanidade
Léon Denis conclui apontando para um futuro de conciliação entre ciência e espiritualidade.
À medida que o homem compreender o mundo invisível, deixará de temer a morte e compreenderá melhor o sentido da existência.
A mediunidade, estudada com seriedade, equilíbrio moral e espírito científico, tornar-se-á uma das grandes chaves para o conhecimento das leis divinas.
A verdadeira ciência não combaterá a verdadeira religião.
Ambas caminharão juntas na busca da Verdade.
Então, a paz deixará de ser apenas esperança e converter-se-á em realidade construída pelo esforço consciente da Humanidade iluminada pela inspiração dos Espíritos superiores.
Conclusão;
O estudo da cura espiritual, do magnetismo e da mediunidade revela uma das mais belas expressões da misericórdia divina. Deus jamais abandona Seus filhos; incessantemente envia recursos de amparo, inspiração e consolação por intermédio dos Espíritos elevados e das leis fluídicas que sustentam a criação.
O poder de curar não pertence ao homem, mas ao Amor Divino que se manifesta por meio daqueles que cultivam a humildade, a fé e a caridade. Da mesma forma, o verdadeiro gênio não representa privilégio individual, mas cooperação entre o Céu e a Terra na construção do progresso humano.
Sob a luz do Espiritismo, os chamados milagres deixam de ser acontecimentos sobrenaturais para se revelarem como manifestações naturais das leis espirituais ainda pouco conhecidas. O estudo sério da mediunidade e do mundo invisível amplia os horizontes da ciência, fortalece a fé raciocinada e convida o homem a reconhecer que a vida continua além da morte, unindo, em permanente solidariedade, os Espíritos encarnados e desencarnados na marcha incessante rumo à perfeição.
Fontes.
DENIS, Léon. No Invisível. Terceira Parte – A Mediunidade Através dos Tempos. 1903.
O Livro dos Médiuns — Allan Kardec.
A Gênese — Allan Kardec.
Revista Espírita — Allan Kardec (diversos estudos sobre magnetismo e curas).
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