Cada caco carrega uma versão nossa: o... Douglas Vasconcelos de lima

Cada caco carrega uma versão nossa: o adolescente cheio de sonhos, o adulto que errou feio, a pessoa que amamos demais e estar longe, mesmo assim não desistiu no meio do caminho. Eles não são bonitos. São irregulares, rachados, com bordas cortantes. Mas, mesmo quebrados, ainda refletem.
É estranho como um pedacinho de espelho consegue mostrar uma verdade inteira. Nele vemos o medo que tentamos esconder, a força que não sabíamos que tínhamos, a cicatriz que virou marca registrada. Não importa o quanto a gente tente varrer esses cacos para baixo do tapete, eles continuam ali, brilhando quando bate a luz certa.
Talvez o segredo não seja colar o espelho de volta para ficar perfeito. Talvez seja aprender a conviver com os pedaços. Reconhecer que cada fragmento faz parte de quem somos hoje. Porque, no fim das contas, os cacos de espelhos que ainda refletem não mostram só o que fomos ou o que perdemos. Eles mostram que, mesmo quebrados, ainda estamos vivos, ainda brilhamos e ainda conseguimos ver beleza no que sobrou.