O Manifesto do Simulacro e a Fome do... Celso roberto nadilo
O Manifesto do Simulacro e a Fome do Ser
Existir na alienação social é sustentar uma simbiose clonada. Na superfície de tudo, resta o questionamento de uma realidade ambígua: o ato de ser esmaga-se sob a essência de almas cansadas pelo vulto da entidade. Somos os resquícios de uma alucinação coletiva, onde a réplica nada mais é do que o abandono da consciência em um lapso temporal.
Se o clone possui uma alma individual, fica a questão: somos aquilo que criamos ou nada criamos e tudo copiamos? O homem que copia a cópia do homem apenas copia. Na interlocução do observador, o clone torna-se só mais uma variável na equação do tempo e do espaço.
Por que isso ocorre? Seria uma defasagem da alma, ou a alma permanece a mesma em outro fluxo temporal? O que testemunhamos parece ser o esquecimento do ser anterior — a ausência das experiências que só o cubismo político seria capaz de decifrar. Afinal, no jogo político, os autores são meras criações da manipulação, operando dentro de maquetes digitais.
"Será que quem fui ainda sou eu?"
Nessa busca por identidade, na afirmação do que sou, o clone esvazia o ser navegante. Há orgulho na simbiose com o meu "eu" anterior, onde fragmentos do pensamento comum se transformam na maravilhosa face da ciência. O fato intrínseco torna-se evidência: a alma pode até viajar no tempo, mas jamais poderá ser substituída ou replicada.
É quando me vejo olhando para o três e o quatro, buscando o número do meio — o infinito oculto entre as margens.
No ambiente em que vivemos, ainda vigora o negacionismo. Esquece-se que a floresta é a alma da vida e que fazemos parte do bioma. Não somos o bioma em si; não podemos ser seus predadores, mas sim os protetores da existência. A maior riqueza que possuímos é a simplicidade da vida.
O clone sente fome de si mesmo porque ainda não aprendeu a criar, limitado a tentar ser moldado por convicções alheias. No fim, os antigos conceitos da política revelam-se como são: meros artifícios da geopolítica.
