O silêncio vestiu a madrugada de veludo... Monalisa Ogliari
O silêncio vestiu a madrugada de veludo e eu respirava a saudade que escreveu meu nome na areia do tempo, quando as estrelas aprenderam a habitar o oceano. Eu colecionava segredos que nenhuma árvore ousa revelar, mas as flautas cantam em forma de melodia e um dia talvez chegará à sua retina. Eu bebo lentamente a luz esquecida das águas e sou margem de muitos rios. Meu coração é uma biblioteca onde os relógios adormecem e a eternidade mora nos meus olhos de lembranças. Eu guardo a memória das nuvens no horizonte que fita o eterno em nossas mãos afetuosas, que cobre o chão de orquídeas. Eu acendo as constelações no inverno a bordar cristais na pele da manhã. A esperança caminha descalça sobre luzes incandescentes. O crepúsculo dissolve o ouro no sangue do céu e chove dourado em nossas escamas. O espelho conhece o rosto de sua ausência, mas a chuva penteou os cabelos da terra vermelha. Eu te falo de longe em sussuros de idiomas que apenas seus olhos compreendem. Cada folha caída é uma carta que eu escrevi e o outono enviou. O vento esqueceu sua infância entre os pinheiros, mas eu não me esqueci de seu sorriso altiveiro. Desconheço o vazio, pois levo sua face no sol e descanso debaixo de uma árvore de flores rosa e tudo é candura em minha rosto. Diriam que as cinzas ainda guardam o perfume do fogo e eu diria que minhas mãos guardam o aroma de lírios e açucenas brancas na tarde de paz. As flores conversam com o sol no idioma elísio e no céu e na terra vivemos o paraíso. O eco envelhece antes de encontrar quem o escute. Mas eu tenho palavras fartas nos dedos. O destino desenha labirintos em minha face, mas a tempestade aprende delicadeza ao tocar uma pétala. Eu repouso sobre o íngreme da montanha e avisto de longe a cidade que guarda as pessoas em edifícios. Toda lágrima conhece o caminho do oceano, mas minha alegria conhece sua língua e somos fluentes em querer bem as pessoas que conosco caminharam estrada. E sou feliz por existir e ter um rico passado. O presente me enche de glórias humildes e o futuro me parece o infinito que cabe dentro de um único instante.
