⁠Às vezes, um mau-caráter escondido... Alessandro Teodoro

⁠Às vezes, um mau-caráter escondido sob a segunda pele do Estado urina fora do penico só para confrontar os apaixonados. Há quem se encante mais pela farda do q... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Às vezes, um mau-caráter escondido sob a segunda pele do Estado urina fora do penico só para confrontar os apaixonados.


Há quem se encante mais pela farda do que pelo caráter de quem a veste.


São os Apaixonados.


Como se o segundo tecido pudesse conferir virtudes que a consciência sob o primeiro nunca cultivou.


Mas a história insiste em lembrar que símbolos não santificam pessoas.


Farda, toga, jaleco, gravata ou mandato são apenas vestimentas institucionais.


Elas identificam funções, não certificam idoneidade.


O respeito que inspira nasce da missão que representa, mas a honra depende exclusivamente de quem as veste.


Quando alguém investido de autoridade age por vaidade, arrogância ou provocação, não desonra apenas a si mesmo.


Fere a credibilidade da instituição que deveria servir e proteger.


E, paradoxalmente, oferece munição aos igualmente apaixonados que confundem o desvio individual com a falência de toda uma corporação.


É justamente aí que mora o perigo: uns transformam a exceção em regra; outros, apaixonados pelo símbolo, recusam-se a enxergar a falha evidente.


Nem a Idolatria, nem a Generalização fazem justiça à verdade.


Instituições fortes não precisam de defensores cegos, mas de cidadãos lúcidos.


A crítica honesta fortalece; a omissão corrói.


O verdadeiro compromisso com o Estado não está em passar pano para maus agentes, mas em preservar os valores e princípios que justificam a existência da própria autoridade.


Porque, em tempos em que a farda já não basta como certificado de integridade, talvez a pergunta mais importante seja esta: quem merece respeito — a roupa que veste ou a conduta que demonstra?