Oração Ao Universo Tu que observas as... Israel SolerYsrael Soler

Oração Ao Universo


Tu que observas as passagens
e caminhas por lugares nunca vistos,
já te perguntaste
por que carregas tanta insipiência?
Um véu cobre o que ainda não descobriste.
Há ternura nos lugares calmos,
o afago do desconhecido
e a colisão dos corpos.
Sem tragédias, sem culpas,
um tom toca —
música na alma.


Como selvagem,
recorro aos instintos
e escuto o eco
das vidas que não vivi.
A sobriedade desperta um ego
que procuro enclausurar,
mas que ainda me permite
aceitar o convite do novo.
O arco no céu toca a terra
e me toca de forma abstrata.
Lança-me aos regalos reprimidos.
Desci de lugares altos
e espantei-me com minha ignorância.
Bati o dorso da mão
nas entrelinhas do mundo.


Viver sem sentir
é ferida aberta.
No desgaste da carne
lapido a pedra que sou:
mausoléu de vidas passadas.
Soltei sussurros ao vento
e deixei o sofista debater-se no poço.
Não o matei.
Apenas o silenciei.
Os passos encurtaram-se.
Calejei o chão e caí.
Olhei o céu
como quem descobre um lugar novo
e fiz uma oração ao Universo.
Vozes ressoaram dentro de mim.
Este universo que desconhecia
E atrevi-me a conhecê-lo
Ele, era eu...


Ysrael Soler