A EVOLUÇÃO PERISPIRITUAL. Autor: Léon... Marcelo Caetano Monteiro

A EVOLUÇÃO PERISPIRITUAL.
Autor: Léon Denis.
Fonte: Depois da Morte.
As relações seculares dos espíritos e dos homens, confirmadas e explicadas pelas experiências recentes do Espiritismo, demonstram a sobrevivência do Ser sob uma forma fluídica mais perfeita.
Essa forma indestrutível, companheira e servidora da alma, testemunha de suas lutas e de suas dores, participa de suas peregrinações, elevando-se e purificando-se com ela. Formado nos mais ínfimos graus da animalidade, o ser perispiritual sobe lentamente pela escala das espécies, impregnando-se dos instintos dos animais selvagens, das astúcias dos felinos e também das qualidades e tendências generosas dos animais superiores. Até então, não passa de um ser rudimentar, um esboço incompleto.
Ao chegar à Humanidade, começa a refletir sentimentos mais elevados; o espírito irradia com maior força e o perispírito ilumina-se com novos fulgores. De existência em existência, à medida que as faculdades se desenvolvem, as aspirações se depuram e o campo dos conhecimentos se amplia, ele se enriquece com novos sentidos.
Cada vez que uma encarnação termina, o corpo espiritual se desprende de seus andrajos de carne, como uma borboleta que emerge de sua crisálida. A alma se reconhece então completa e livre e, ao contemplar o manto fluídico que a envolve, por seu aspecto esplêndido ou miserável, certifica-se de seu próprio grau de adiantamento.
Assim como a árvore conserva a marca de seus desenvolvimentos anuais, também o perispírito guarda, sob suas aparências presentes, os vestígios das vidas anteriores e dos estados sucessivamente percorridos. Esses vestígios permanecem encerrados em nós, muitas vezes esquecidos; mas, quando a alma evoca e desperta sua lembrança, reaparecem como outras tantas testemunhas dispostas ao longo do extenso e penoso caminho percorrido.
Os espíritos atrasados possuem envoltórios densos, impregnados de fluidos materiais. Após a morte, ainda sentem as impressões e as necessidades da vida terrestre. A fome, o frio e a dor subsistem para os mais grosseiros dentre eles. Seu organismo fluídico, obscurecido pelas paixões, só pode vibrar fracamente, e suas percepções são muito limitadas. Nada sabem da vida do Espaço. Tudo é treva neles e ao redor deles.
A alma pura, desprendida das atrações bestiais, forma para si um perispírito semelhante à sua própria natureza. Quanto mais sutil for esse perispírito, com tanto maior intensidade vibrará e mais amplas e profundas serão suas percepções. Participa dos gozos da vida superior e das magníficas harmonias do infinito.
Tal é a tarefa do espírito humano e tal é a sua recompensa. Por meio de grandes esforços, conquistar novos sentidos de delicadeza e poder ilimitados; dominar as paixões brutais; transformar esse envoltório espesso em uma forma diáfana e resplandecente de luz, eis a obra destinada a todos nós, e que devemos prosseguir através de inúmeras etapas, pelo maravilhoso caminho que os mundos vão desdobrando diante de nossos passos.
— Léon Denis, em Depois da Morte.