E quando as pessoas mentem, quando fazem... Adriano Augusto Cecagno...
E quando as pessoas mentem, quando fazem você acreditar em algo que parecia real, quando entram na sua vida justamente no momento em que você já não tem forças para continuar carregando sozinho o peso de tudo o que sente, quando elas encontram você sem as muralhas, sem as máscaras, sem as defesas que levou anos construindo para sobreviver, quando veem suas feridas abertas, seus medos mais profundos, sua fragilidade mais escondida e, mesmo assim, dizem que o amam, que se importam, que jamais o abandonarão, que sempre estarão ali para você, e por um breve instante você acredita, porque quer acreditar, porque está cansado de lutar sozinho, porque finalmente pensa que encontrou alguém diante de quem não precisa fingir ser forte o tempo todo, alguém para quem pode mostrar quem realmente é, alguém que faz nascer dentro do seu peito uma esperança que você julgava morta, a esperança de ter um amigo verdadeiro, um porto seguro, uma presença capaz de permanecer mesmo nos dias mais escuros, mas então, sem explicação, sem aviso, sem sequer olhar para trás, essa mesma pessoa desaparece, abandona você e leva embora tudo aquilo que ajudou a construir, arranca do seu peito a confiança que ela mesma plantou, destrói a esperança que ela mesma fez florescer e deixa apenas o vazio, um vazio ainda mais profundo do que aquele que existia antes dela chegar, porque antes havia solidão, mas agora existe a lembrança cruel do que parecia ser acolhimento, antes havia apenas a dor de estar sozinho, mas agora existe a dor de ter acreditado que não estaria mais, e então você começa a se perguntar se o problema sempre foi você, se realmente é tão difícil de amar, tão pesado, tão cansativo, tão insuficiente que até aqueles que prometem ficar acabam indo embora, e cada abandono passa a soar como uma confirmação dos seus piores pensamentos, como se todas as vozes que dizem que você é um fardo finalmente estivessem certas, como se a única forma de sobreviver fosse reconstruir as muralhas ainda mais altas, vestir máscaras ainda mais fortes, esconder cada sentimento, cada lágrima, cada fraqueza, e nunca mais permitir que alguém se aproxime o bastante para ter o poder de destruir o pouco que resta, porque quando a esperança morre pelas mãos de quem a criou a dor não é apenas tristeza, ela se transforma em algo muito mais profundo, um cansaço que invade a alma, uma sensação sufocante de não pertencer a lugar nenhum, de não ser importante para ninguém, de ocupar espaço demais e significar de menos, e então tudo o que resta é o desejo silencioso de desaparecer, não por falta de amor para dar, mas pelo medo de continuar existindo apenas para ser deixado para trás mais uma vez, carregando sozinho os pedaços de um coração que já não sabe quantas vezes ainda conseguirá se reconstruir.
