O Silêncio Vivemos cercados por sons.... Wander Von Muller
O Silêncio
Vivemos cercados por sons.
As vozes das pessoas, os compromissos do dia a dia, as notícias, os pensamentos e as preocupações ocupam grande parte do nosso tempo. Em meio a tudo isso, raramente percebemos o quanto nos afastamos do silêncio.
Durante muito tempo acreditei que as respostas estavam sempre do lado de fora. Em livros, conversas, experiências e opiniões. E, de fato, muito do que aprendemos vem através do mundo que nos cerca.
Mas algumas respostas seguem um caminho diferente.
Elas chegam quando tudo se aquieta.
Existem momentos na vida em que o silêncio não é ausência. É presença.
É quando os ruídos diminuem que começamos a ouvir pensamentos que antes passavam despercebidos. Recordamos sonhos esquecidos, compreendemos sentimentos antigos e enxergamos situações que a correria não permitia observar.
O silêncio tem uma maneira curiosa de revelar aquilo que estava escondido.
Por isso, muitas vezes, ele nos incomoda.
Nem sempre estamos preparados para ouvir a nós mesmos.
É mais fácil ocupar cada espaço com distrações do que permanecer alguns instantes diante dos próprios pensamentos. No entanto, é justamente nesse encontro que surgem algumas das reflexões mais importantes da vida.
Não são raras as vezes em que uma decisão importante nasce em um momento de silêncio.
Não porque encontramos todas as respostas.
Mas porque passamos a enxergar com mais clareza as perguntas.
Com o passar dos anos percebi que o silêncio também fala.
Ele está presente entre uma despedida e outra.
Entre o fim de um ciclo e o início de um novo caminho.
Entre aquilo que fomos e aquilo que estamos nos tornando.
Talvez seja por isso que os momentos mais marcantes da vida nem sempre sejam acompanhados por grandes discursos.
Às vezes eles acontecem em um simples instante de contemplação.
Um olhar para o horizonte.
Uma caminhada sem destino.
Uma noite tranquila após um longo dia.
São nesses momentos que compreendemos que nem tudo precisa ser explicado.
Algumas coisas precisam apenas ser sentidas.
Hoje vejo o silêncio como um companheiro de jornada.
Não como um vazio a ser preenchido.
Mas como um espaço onde a vida encontra uma maneira mais serena de conversar conosco.
E talvez algumas das respostas que tanto procuramos estejam aguardando exatamente ali.
No lugar onde o mundo se cala e a alma finalmente pode ser ouvida.
