Na casa clara da manhã, de poeira se... Monalisa Ogliari
Na casa clara da manhã, de poeira se enchia a estrada em um redemionho a levar flores de outono que descansam no solo. Canta a asa branca na planície de uma mata vasta e inebriada. A água calma da lagoa acalma a alma vaga na madrugada. Ouve-se a fala mansa de um arara que chama alta na varanda. No mar uma barca branca e iluminada levava uma menina que sorria. Para ela a vida era linda e infinita. A brisa fria da colina ouvia sinos a vibrar nas igrejas. Um poeta põe-se a escrever rima viva e cristalina, trilha antiga e escondida, que fitava a neblina e a poesia ilumina o dia. A melodia inspira a menina de família unida e querida. O rouxinol cantou de novo no dia solto do outono. No quintal havia um poço fundo e silencioso. Nas montanhas se ouviam coros sonoros de monges. Os olhos eram como sóis dourados, no contorno do horizonte e os opostos formam o todo de um sonho longo e misterioso. A lua despida sobre a rua pairava chuva pura da altura, em escultura de ternura. A bruma azul era música muda à alma. Uma luz profunda e absoluta. Na mesa havia uma fruta suculenta e madura, com uma cursa suave de pintura. O dinheiro era escasso e fortuna busca aventura. Mas esqueça. Uma doçura flutua na memória e o céu sereno e pequeno leva o tempo lento e secreto. Um vento leve sobre o campo, faz o verde crescer em silêncio para futuras festas belas e singelas. Uma estrela revela secredos e a névoa leve desliza pela relva. A terra espera a primavera em um verso belo e sincero. Um menino seguia sozinho, sorrigo antigo e tranquilo. Brilho vivo do destino. E há um caminho florido e bonito. Foi um livro escrito com carinho.
