A ESTRELA SOLITÁRIA E O VENTO ​Há um... Luiz Felipe Amil

A ESTRELA SOLITÁRIA E O VENTO



​Há um silêncio antigo pousado nas margens do tempo,
onde a palavra não pesa, apenas flutua,
como névoa que abraça o contorno do mar
e acorda a canção adormecida da lua.


​A luz do teu olhar é a estrela solitária
que soube decifrar a geometria do vento,
a arquitetura frágil da saudade,
a passagem fugaz de cada momento.


​Não cantaste a pedra dura do mundo,
mas o rastro da espuma, a rosa passageira,
o espelho que devolve ausências
e a música que se faz companheira.


​Foste pastora de nuvens e de auroras,
menina que ouvia o sino da tarde tocar,
sabendo que a vida é esse breve intervalo
entre o verso nascer e o infinito calar.


​Hoje, Cecília, a tua voz permanece invicta,
atravessando os séculos em passo suave e leve.
Porque enquanto houver na noite uma estrela que brilha,
tua poesia será a chama que o tempo não dissolve nem esquece.


Uma homenagem do escritor paraense Luiz Felipe Amil Para a escritora Cecília Meirelles.
© Todos os direitos autorais reservados. Lei nº 9.610/98.