Não me incomodo com os que fingem... Alessandro Teodoro

Não me incomodo com os que fingem Bondade ou Maldade, os que me inquietam até a alma são os que tentam fingir Alegria.
Existe algo profundamente triste em encontrar alguém que sorri enquanto, por dentro, trava batalhas que ninguém consegue enxergar.
Não falo daquele sorriso espontâneo, que nasce de um instante feliz, tampouco da alegria genuína de quem aprendeu a encontrar beleza nas pequenas coisas da vida.
Refiro-me àquela felicidade ensaiada, cuidadosamente exibida, quase como uma obrigação de demonstrar ao mundo que tudo está bem, mesmo quando os sentimentos já não conseguem sustentar essa representação.
Talvez a Tristeza mais silenciosa seja justamente aquela que aprendeu a não incomodar.
Ela não faz escândalos, não exige explicações, não pede socorro a todo instante.
Pelo contrário, muitas vezes se veste de bom humor, aparece nas conversas, participa das brincadeiras e responde que está tudo certo quando alguém pergunta.
Por trás dessa aparente tranquilidade, entretanto, existe um coração cansado de precisar convencer os outros de que ainda consegue suportar tudo.
A Bondade fingida pode ser desmascarada pelas atitudes.
A Maldade disfarçada costuma se revelar nas intenções, nos gestos e nas consequências que deixa pelo caminho.
Mas a Alegria fingida possui uma particularidade que me inquieta: ela pode esconder uma dor que nem mesmo quem a carrega sabe mais como explicar.
Há pessoas que aprenderam a sorrir para não precisar contar o que sentem, que transformaram o bom humor em abrigo e fizeram da própria capacidade de disfarçar uma espécie de mecanismo de sobrevivência.
Nem sempre quem está sorrindo está feliz.
Às vezes, está apenas tentando não desmoronar diante de quem não saberia o que fazer se descobrisse a verdade.
Existem risadas que escondem saudades, brincadeiras que disfarçam frustrações e conversas descontraídas que servem apenas para evitar o silêncio.
Afinal, quando a alma está cheia de coisas que não podem ser ditas, qualquer assunto pode se transformar em uma fuga conveniente.
O que mais me faz refletir é perceber como nos acostumamos a exigir felicidade uns dos outros.
Parece que estar bem se tornou uma obrigação social, como se demonstrar tristeza fosse uma espécie de fraqueza ou um inconveniente para quem está por perto.
Esperamos que as pessoas sejam leves, agradáveis, positivas e disponíveis, mas raramente nos perguntamos quanto esforço elas fazem para sustentar essa imagem.
Queremos a companhia de quem nos transmite alegria, porém nem sempre estamos preparados para acolher a tristeza que existe por trás dela.
Há uma diferença enorme entre ser uma pessoa alegre e sentir-se obrigado a parecer feliz.
A primeira encontra motivos para sorrir, mesmo diante das dificuldades.
A segunda, muitas vezes, sorri porque acredita que não tem o direito de fazer outra coisa.
Uma vive a própria espontaneidade; a outra interpreta um personagem para não decepcionar expectativas, evitar julgamentos ou simplesmente impedir que alguém faça perguntas para as quais ainda não encontrou respostas.
Talvez seja por isso que eu admire tanto as pessoas que não precisam representar.
Gente que consegue dizer que não está bem sem transformar isso em espetáculo, que não tem vergonha de reconhecer os próprios dias difíceis e que compreende que a vida não precisa ser uma sucessão de fotografias bonitas, frases otimistas e sorrisos perfeitamente posicionados.
A verdadeira Maturidade Emocional também está em aceitar que existem dias em que a única vitória possível é continuar caminhando, ainda que sem entusiasmo.
Não acredito que alguém precise carregar a tristeza como identidade, muito menos que a dor deva ser romantizada ou relativizada.
Mas considero essencial que exista Liberdade para sentir sem precisar justificar cada emoção.
Ninguém deveria ser obrigado a oferecer alegria quando o que precisa, naquele momento, é de compreensão.
Nem todo silêncio representa afastamento, nem toda ausência significa desinteresse e nem todo sorriso é sinal de contentamento.
Aprendi que algumas das pessoas mais divertidas são também aquelas que mais precisam de acolhimento.
Não porque todo sorriso esconda sofrimento, mas porque a aparência nunca será uma medida confiável daquilo que acontece dentro de alguém.
Por isso, antes de acreditar que conhecemos a felicidade de uma pessoa, deveríamos aprender a respeitar aquilo que ela não consegue ou não deseja revelar.
No fundo, não me assusta encontrar contradições nas pessoas.
Somos feitos de muitas versões, algumas bonitas, outras difíceis de compreender.
O que realmente me inquieta é imaginar quantas almas estão cansadas de representar uma felicidade que já não conseguem sentir.
E em contra partida, quantas pessoas se tornaram especialistas em tranquilizar os outros enquanto ninguém percebe que elas também precisam de cuidado.
Que a gente tenha menos pressa em cobrar sorrisos e mais disposição para oferecer presença.
Que saibamos acolher alguém sem exigir explicações, ouvir sem transformar a dor alheia em julgamento e compreender que nem sempre uma palavra resolve aquilo que o tempo, a vida e as circunstâncias fizeram pesar.
Porque a alegria verdadeira não precisa de plateia, não exige aplausos e tampouco precisa ser anunciada o tempo inteiro.
Ela simplesmente acontece, às vezes discretamente, no coração de quem encontra um motivo para continuar.
E, se existe algo que desejo preservar nesta vida, é a capacidade de perceber quando um sorriso precisa de um abraço, quando uma brincadeira esconde um pedido silencioso de atenção e quando alguém que parece iluminar todos os ambientes talvez esteja precisando, apenas por um instante, de um lugar onde não precise fingir que tem luz.
Afinal, ninguém deveria precisar representar felicidade para merecer companhia.
Há momentos em que ser compreendido vale muito mais do que qualquer tentativa de parecer feliz.
