DE MÃOS DADAS Caminhar de mãos dadas... andresaut
DE MÃOS DADAS
Caminhar de mãos dadas com alguém nunca é apenas um passeio.
É uma escolha.
É dizer, sem precisar dizer, que por algum tempo, ou quem sabe por toda a vida, dois caminhos decidiram seguir na mesma direção.
Uma mão segurando a outra parece tão pouco.
Mas é tanto.
É apoio quando o pé tropeça.
É força quando o cansaço chega.
É coragem quando aparece uma subida daquelas que fazem a gente pensar se vale a pena continuar.
E vale.
Principalmente quando, ao esticar a mão, encontramos outra esperando pela nossa.
Talvez um dos maiores privilégios da vida seja este: dividir o esforço para multiplicar as conquistas.
Chegar juntos.
Olhar para trás e perceber que algumas distâncias só foram possíveis porque ninguém precisou percorrê-las sozinho.
Andar de mãos dadas também é andar perto.
Perto o suficiente para conversar.
Perto o suficiente para ficar em silêncio.
Perto o suficiente para entender que existem dias em que o outro quer falar e dias em que só precisa de alguém ali.
Sem perguntas.
Sem respostas.
Só ali.
É dizer o que sente e como sente.
Contar os sonhos, até aqueles meio bobos.
Perguntar o que o outro sonha também.
É fazer planos sabendo que a vida adora mudar os mapas.
E, se um dia for preciso trocar de direção, conversar.
Se for preciso diminuir o passo, esperar.
Se for preciso parar, sentar um pouquinho.
Porque amor não é chegar primeiro.
É não deixar para trás quem escolheu caminhar com você.
Haverá tropeços.
Haverá cansaço.
Talvez existam dias em que uma das mãos esteja triste demais até para apertar a outra.
Nesses dias, basta não soltar.
Porque amar também é isso.
Não ter todas as respostas.
Não saber exatamente onde o caminho vai dar.
Mas olhar para o lado e encontrar alguém que continua ali.
Talvez seja por isso que gosto tanto da imagem de duas pessoas caminhando de mãos dadas.
Porque as mãos contam histórias.
Elas acolhem.
Protegem.
Pedem desculpas.
Fazem carinho.
Chamam para perto.
E, algumas vezes, dizem “fica” sem pronunciar uma única palavra.
De mãos dadas você sabe que não está só.
Você sente.
No calor daquela mão.
No compasso dos passos.
Na delicadeza de alguém diminuir o ritmo para acompanhar o seu.
E, se prestar bastante atenção, talvez consiga sentir através dos dedos aquilo que os olhos nem sempre conseguem explicar.
As batidas do coração de alguém que, entre tantos caminhos e tantas mãos que poderia ter escolhido, encontrou justamente a sua.
Segurou.
E decidiu caminhar ao teu lado.
Sem saber exatamente até onde.
Mas desejando, com todo amor, que seja longe.
Bem longe.
André Saut
