A bailarina era gaga, mas seus pés... andresaut
A bailarina era gaga,
mas seus pés falavam bonito.
Tropeçava nas palavras,
dançava até no infinito.
Quando tentava dizer amor,
o coração saía na frente.
E o tal do sobrepasso
era um tropeço diferente.
No lago morava um ganso
que se julgava um cisne encantado.
Não tinha a graça no pescoço,
mas vivia apaixonado.
Um dia viu a bailarina
ensaiando à beira do lago.
Ela gaguejou um sorriso,
ele respondeu com um afago.
Ela não sabia dizer
o que sentia ao vê-lo passar.
Ele, que não sabia ser cisne,
sabia perfeitamente amar.
E dançaram os dois, desajeitados,
sob a lua, sem plateia nem aviso.
Ela tropeçando nos passos,
ele nadando no próprio sorriso.
Foi quando a vida, tão sábia,
lhes ensinou, sem fazer alarde:
não importa a palavra engasgada,
nem a beleza que chega tarde.
Porque o amor, quando é verdadeiro,
não exige perfeição de ninguém.
Às vezes, um ganso é mais cisne
do que um cisne que se acha alguém.
E a bailarina, pela primeira vez,
disse, sem gaguejar, baixinho:
“O amor não precisa saber dançar.
Basta encontrar quem aceite
tropeçar juntinho.”
André Saut ( verdade, estava na hora do café, encontrei este texto entre as minhas orelhas)
