Flores nascem numa floresta; você as... Celso roberto nadilo
Flores nascem numa floresta; você as retira da natureza e vende as lágrimas dos céus.
Lapsos de um passado que vivia em uma árvore, respeitava o oceano, e matamos as águas que representam a vida — mesmo assim, queremos viver.
O desgelo e o deserto são contrastes do seu intelecto.
Forma os fragmentos dos céus até o microcosmo, onde aprendeu que o egoísmo é parte da sua necessidade de viver.
Pensamentos errantes voam pelos desertos da sua mente; vejo a destruição do mundo rica em detalhes, maquinando o próximo passo da evolução.
Até o deserto seco tem vida...
As cachoeiras, antes ricas em vida, agora escoam a areia do deserto da sua consciência. Será que tens consciência?
Choras pelas dragas pegando fogo, ou, no fundo das águas profundas da alma, vejo olhos brilharem como no descarte do lixo onde o mercúrio contamina a terra? O povo da floresta passa fome, as onças magras caminham no leito do rio poluído e as estrelas caem dos céus.
A Odisséia é a simplicidade abandonada pela humanidade que celebrou a floresta devastada. Índios boiam mortos nos rios e capivaras nadam na sujeira causada por aquilo que se diz homem.
Morrer pela riqueza: obra-prima.
Jaz a humanidade; o fogo consome a sepultura da biodiversidade.
O trator parece um dinossauro carnívoro que come a terra; os indígenas choram e morrem diante da ganância e da exploração ilegal e desmedida.
A floresta pega fogo... Ainda olho para o céu reluzente e vejo a época em que pescar era só para alimentar a família.
O barulho dos grilos e os vaga-lumes iluminando a floresta nos mostram as inovações do amanhã.
O pensamento racional evoca a lucidez e a proteção do que temos; se perdermos tudo, estaremos em um abismo sem vida.
Pois a fome é a simplicidade fruto da ignorância.
— Celso Roberto Nadilo
