O QUE É A MORTE? [Um diálogo sob outra... Samuel Andrade
![O QUE É A MORTE? [Um diálogo sob outra perspectiva] — O que é a morte? — Eu não sei. Você sabe? — Kkkk... Só depois que eu morrer. — Rsrs... Ah, então você não ... Frase de Samuel Andrade.](https://cdn.pensador.com/img/frase/sa/mu/samuel_andrade_o_que_e_a_morte_um_dialogo_sob_outra_per_trf_nl4n9ndg.jpg)
O QUE É A MORTE?
[Um diálogo sob outra perspectiva]
— O que é a morte?
— Eu não sei. Você sabe?
— Kkkk... Só depois que eu morrer.
— Rsrs... Ah, então você não sabe, assim como eu. Na verdade, eu não acredito na morte, não. Acredito na vida, entendo que a experiência humana aqui é atravessada pela falta, pela dor. Mas eu acredito mesmo é no amor. Na morte não. Pra mim, numa certa perspectiva, a morte não existe.
— Como assim? Me explica.
— Não saberia te explicar exatamente, e ao mesmo tempo eu poderia te encher de crenças e ideias a respeito, mas, pra mim, a vida continua. Quem vai não morre, apenas vai... e vai ficando. Porque em mim, ninguém morreu. Diante dos meus olhos, todos vivem, até os que daqui se foram.
— E a morte física?
— É uma troca de roupa. Deixa-se uma roupa velha e inadequada pra trás, para se vestir de algo melhor.
— Entendo... E?
— Pra mim, nada pode ser mais real que a vida. Aqui, marcada pelas faltas, pelas perdas, pela dor, como falei antes... também pelo amor. Que na verdade é até maior que o conceito de vida ou morte que carregamos. Pois como explicar que, mesmo depois de anos separados de alguém que já não está mais aqui, o sentimento de amor continue? Não falo apenas da falta, mas de amor.
— Sim...
— Talvez por isso se diga que o amor é mais forte que a "morte".
— Já ouvi isso.
— Por mais atrapalhados que sejamos nessa questão, a vida é uma experiência de amor, boa ou sofrida, as duas coisas na verdade, rsrs. Não à toa, Lacan vai dizer que "toda demanda, no fundo, é uma demanda de amor". Assim, penso, que vida e amor se misturam e que vive melhor quem melhor saiba amar. Ou, pelo menos, quem melhor se dispõe a aprender a amar. Porque, no final das contas, não há nada mais intrínseco na vida humana, na natureza e no universo do que essa persistência em existir, em permanecer, em se recriar, em se transformar, em se conectar, para além do que chamamos de "morte".
— Mas eu preciso acreditar nessa ideia?
— Não.
— E você acredita?
— Como te falei, olhando por essa perspectiva, sim, acredito.
— Então você não sofre com a morte?
— Com a morte? Não exatamente. Sofro com a falta. Nem mesmo penso na minha, com quem vai ficar, com o que deixarei de fazer... não. Mas sinto faltas, e isso, às vezes, me faz sofrer.
— Mas, pensando assim, seria uma forma diferente de sofrer?
— Sim. Acredito que sim.
— Então, a gente não morre?
— Eu não. Você vai?
— Kkkk... espero que não.
S.A.
.....................
P.S.:
Não. Isso não é uma catequese.
Apenas uma provocação.
Então!?
E se você olhasse pra morte de um outro jeito?
O que isso geraria em você?
Como te faria viver de uma forma diferente?
...............
Samuel Andrade,
psicanalista, teólogo, esp. em psicologia social e antropologia.
