Envelhecer não é morrer. A questão de... Yonne Moreno (BRASIL- )
Envelhecer não é morrer.
A questão de envelhecer não é perder a beleza, mas perder as forças.
Não é perder a vaidade, é perder a validade aos olhos de uma sociedade que, tantas vezes, descarta aquilo que já não considera útil.
Não é perder o calor, é sentir que perdeu o seu valor.
Não é perder a aparência, é perder a presença daqueles que ama.
A questão de envelhecer começa a se tornar dolorosa quando colocam a seus pés a pedra da exclusão, da indiferença, do desamor e do desafeto, justamente pessoas que sempre estiveram ao seu lado, seja como amigos, seja como família.
Envelhecer é também a triste realidade de enxergar a desumanidade em rostos nos quais jamais imaginaria encontrá-la.
O idoso precisa se sentir amado. Precisa de abraços com gosto de “eu te amo”, de conversas, de recordações alegres de um tempo que já passou e de palavras de conforto sussurradas ao pé do ouvido.
Precisa sentir que é amado, que existe alguém que o ama e cuja paciência transparece no olhar, nas atitudes e na alma.
Pode ser difícil?
Sim! Ninguém disse que é fácil lidar com o ser humano.
Mas você já se questionou sobre a possibilidade de, se tiver sorte, também envelhecer um dia? Já se colocou na pele daquele que envelhece entre dores e lágrimas, entre o desamparo e a solidão?
Mas e o amor ao próximo? Onde está?
Envelhecer não é morrer.
Envelhecer é jogar fora a mágoa.
É tornar-se um mapa humano da passagem do tempo.
É aceitar a lei divina.
É ter a oportunidade de depurar a alma, até porque, neste mundo, somos apenas almas visíveis aos olhos de outrem.
