# O fardo de existir No decorrer do... Eliabe Luciano Bacca
# O fardo de existir
No decorrer do intervalo entre o nascimento e a morte — esse breve instante ao qual chamamos de vida — carrego comigo o fardo de existir.
À medida que Cronos segue seu curso inexorável, percebo que muitos atravessam a existência sem jamais confrontar o peso de sua própria consciência. Essa percepção toca meu âmago, pois há uma inquietação que permanece: a de compreender o significado de simplesmente ser.
Haverá alguém que compartilhe comigo tamanha penumbra em meio aos dias atuais, ou estarei sozinho no vasto cosmos dos meus próprios pensamentos?
Quanto mais conhecimento adquiro, mais percebo a profundidade e o peso da existência. A capacidade de refletir, embora seja uma das maiores virtudes humanas, por vezes se apresenta como uma espécie de condenação para aquele que ousa enxergar além das aparências.
Existir não significa apenas ocupar um espaço no mundo, mas experimentar a totalidade das sensações que nos atravessam. Não somente aquelas que nos trazem conforto, mas também as que revelam a dor, a dúvida e a fragilidade da condição humana.
Como refletia Espinosa, somos manifestações de uma mesma Natureza infinita, partes de uma realidade maior que nos transcende. Talvez nossa busca não seja encontrar um lugar sem sofrimento, mas compreender os encontros e experiências que aumentam nossa potência de existir.
Contemplo um passado marcado por amarguras e tempestades. Carrego comigo lembranças que transcendem o tempo e permanecem gravadas na memória; contudo, muitas delas deixaram cicatrizes onde antes eu buscava respostas.
Apesar dos desfechos que a vida me apresentou, ainda encontro forças para acreditar. Permaneço na esperança de que um dia conhecerei a felicidade não como um instante passageiro, mas como um estado de alma; uma serenidade construída entre capítulos de luz e períodos de profunda escuridão.
Em meu íntimo, sinto que os filósofos que mais influenciaram minha visão da existência compreenderam algo semelhante: cada ser humano encontra, ao seu modo, um último capítulo e uma forma singular de concluir sua própria história.
E talvez o verdadeiro sentido não esteja em escapar do fardo de existir, mas em aprender a carregá-lo com dignidade.
Eliabe luciano Bacca
