Existe uma sensação silenciosa e... Nayra Sousa Escritora

Existe uma sensação silenciosa e dilacerante que aperta o peito quando a gente finalmente acorda para a realidade: a de que estamos perdendo para o tempo. Perder o tempo é apenas um desperdício de dias, um erro de rota que a gente tenta consertar. Mas perder para o tempo é totalmente diferente. É a constatação mais cruel da nossa finitude, vendo os anos passarem e as pessoas que amamos partirem, seja pela morte, seja pelos desvios inevitáveis da existência.
​E por mais que a gente faça tudo o que está ao nosso alcance em vida — por mais que a gente se dedique, tente estar presente, cuide, faça o bem e regue as relações de afeto com toda a alma enquanto a pessoa está aqui —, a sensação de derrota diante do relógio ainda é terrível. A gente se esforça para não deixar nada por dizer, para abraçar com verdade, mas, mesmo fazendo o nosso melhor, a vida continua levando quem a gente ama.
​É uma impotência esmagadora. A maturidade nos obriga a engolir a lição mais difícil de todas: a de que nós não temos o controle de absolutamente nada. Os dias escorrem por entre os dedos, as presenças viram lembranças, e o que sobra é o eco de quem partiu. No fim, por mais amor que a gente tenha plantado em vida, restar em silêncio diante da passagem do tempo é a prova mais dura de que o mundo segue o seu curso, indiferente à nossa saudade.