QUEM FALA DEMAIS ENTREGA AOS OUTROS AS... RivaAlmeida

QUEM FALA DEMAIS ENTREGA AOS OUTROS AS ARMAS QUE PODERÃO SER USADAS CONTRA SI MESMO.

A pessoa que faz barulho, revela cada plano, expõe todas as emoções e sente necessidade de explicar cada passo torna-se previsível. E, em um mundo onde muitos observam em silêncio, ser previsível pode significar entregar a alguém o poder de antecipar seus movimentos.

Na floresta, o animal que faz barulho denuncia sua posição. Na vida, acontece algo semelhante: quem revela tudo o que pensa, tudo o que sente e tudo o que pretende fazer acaba oferecendo aos outros um mapa de suas vulnerabilidades.

É por isso que o silêncio pode ser uma forma de inteligência.

Não se trata de esconder quem você é, fingir indiferença ou transformar a vida em um jogo de manipulação. Trata-se de compreender que nem todos precisam conhecer seus planos, nem todos merecem acesso às suas fragilidades e nem toda situação exige uma resposta.

Aprenda a observar antes de falar, a pensar antes de reagir e a agir antes de anunciar.

Não transforme seus sonhos em promessas públicas antes de transformá-los em realidade. Não exponha suas feridas a quem procura apenas descobrir onde dói. E não desperdice sua energia tentando convencer pessoas que já decidiram não compreender você.

A maturidade ensina que a discrição protege, a observação esclarece e o autocontrole impede que os outros assumam o comando das nossas emoções.

Quem domina a própria língua evita conflitos desnecessários. Quem domina as próprias emoções não se torna refém das provocações. E quem aprende a ouvir descobre coisas que jamais perceberia enquanto estivesse ocupado demais falando.

Mas existe uma diferença fundamental entre o silêncio de quem tem sabedoria e o silêncio de quem tem medo: o primeiro é uma escolha; o segundo, uma prisão.

Não anuncie cada passo, não explique cada escolha e não revele cada batalha. Construa em silêncio aquilo que o tempo se encarregará de revelar. Porque, muitas vezes, a maior demonstração de força não está em fazer o mundo ouvir a sua voz, mas em ter tanto domínio sobre si mesmo que nenhuma voz externa consegue tirar você do seu caminho.