Bebelle, a guerra terminou. O inimigo... Northon Salomão de Oliveira

Bebelle, a guerra terminou. O inimigo recolheu suas sombras e fugiu para além das fronteiras do nosso horizonte. Agora, anunciam-se pelo menos cinco anos de etérea, como se o tempo, enfim, tivesse decidido suspender o peso das coisas.


Se não tivesses renunciado ao trono por medo daquilo que ainda não existia, serias minha rainha. Mais do que isso: serias nossa rainha. Mas há quem deseje a coroa apenas enquanto ela brilha, sem compreender que governar é aceitar também o peso invisível do reino, a solidão das decisões e a responsabilidade por aquilo que não se pode prever.


Talvez nunca tenhas compreendido que o poder não exige a ausência do medo, mas a coragem de não lhe entregar o cetro. Faltou-te maturidade para habitar a grandeza sem te perderes nela; faltou-te discernimento para distinguir o domínio da responsabilidade, o desejo de reinar da capacidade de sustentar um reino.


E assim, quando o futuro ainda era apenas uma porta entreaberta, escolheste o exílio antes mesmo de conheceres o território.


O trono permaneceu. A guerra acabou. O inimigo desapareceu na distância.


E há ironias que só o tempo sabe escrever: às vezes, não é o destino que nos nega uma coroa. Somos nós que, temendo o preço de usá-la, a abandonamos nas mãos do silêncio.


Agora, Bebelle, resta saber se o que perdeste foi apenas um reino ou a única versão de ti mesma que poderia ter existido nele.