UM CEMITÉRIO. Um cemitério. É o que... JP Brinholi

UM CEMITÉRIO.

Um cemitério.

É o que vejo ao olhar onde os homens depositam suas esperanças.

Digo-o enquanto percorro as alamedas da minha própria alma e leio as lápides. Aqui jaz a esperança que depositei num amigo; ali, a que pus numa teoria, num partido, em alguém, em mim mesmo.

O homem não crê que a esperança lhe seja dada. Crê que a produz, que a possui. Quem não a recebe de Deus precisa fabricá-la, e a fabrica nos homens: enterra em terra de homens o que era do Senhor, e nada lhe é devolvido.

Depositamos nossas esperanças em mortais, depois exigimos deles aquilo que só Tu, Senhor, podes dar, depois os odiamos por não darem.

Escolhemos a ilusão porque ela não exige joelhos dobrados. A esperança em Deus pede humildade; a esperança no homem pede apenas ambição.

Contudo, Tu, de quem a esperança vem, não és coveiro. És Juiz, e julgarás justos e injustos. Achava que eu precisava de Cristo para que pudesse realizar grandes coisas, e um dia eu descobri que Cristo é a grande coisa.