Entre o Acaso e a Lealdade Admiro aquilo... Brumar
Entre o Acaso e a Lealdade
Admiro aquilo que o tempo não apressa,
o que floresce sem precisar de promessa,
o que chega sem anúncio ou explicação
e, sem perceber, faz morada no coração.
Há encontros que parecem obra do acaso,
mas deixam a alma fora do compasso.
Basta um olhar, um gesto, uma sintonia,
e o mundo ganha outra poesia.
Aprendi que não se colhe qualquer flor,
nem se confunde a beleza com o amor.
Há flores que encantam pela aparência,
outras que ensinam o valor da paciência.
Pois amar também é saber esperar,
é admirar sem querer aprisionar,
é oferecer abrigo, não uma prisão,
é ter raízes sem perder a direção.
E a lealdade, ah… essa não faz alarde,
não muda de rosto quando a vida arde.
É permanecer inteiro na ventania,
ser verdade mesmo quando ninguém vigia.
O tempo revela o que o encanto esconde,
se a presença é abrigo ou apenas passagem,
se o sentimento sabe aonde ir
ou se veio somente para nos confundir.
Por isso, se um dia florescer no meu jardim,
que seja por vontade, não por obrigação.
Não quero uma flor que permaneça por mim,
mas uma que escolha ficar por convicção.
E se o acaso nos cruzar outra vez,
que o tempo nos conte o que ainda não disse.
Que haja admiração em cada amanhecer,
lealdade nos dias difíceis
e amor suficiente para deixar florescer.
Pois sou jardineiro, mas também sou jardim.
Tenho flores que o mundo ainda não viu.
E aprendi que o mais bonito, enfim,
não é colher uma flor…
É merecer que ela floresça ao teu lado,
mesmo quando ninguém pediu.
